VIDA
DEUS GAY
ESTRELA


A VIDA DE ANTÍNOUS


Antínous nasceu numa cidade chamada Claudiópolis, também conhecida como Bitínia, no nordeste do país hoje conhecido como Turquia no ano 111 d.C. Pensa-se que Antínous não descendia de uma família abastada mas que foi um escravo. Veio do nada mas durante a sua curta vida, veio a ser um príncipe conhecido em todo o império. O seu nome percorre os caminhos da história devido ao amor que ocorreu entre este estranho e exótico rapaz e o governante do mundo romano da altura. Os detalhes da vida de Antínous são desconhecidos. O ano exato do seu nascimento é desconhecido mas a data é mencionada como sendo 27 de Novembro.

No entanto, a sua imagem é conhecida devido às variadas esculturas existentes. Ele era extraordinariamente belo, um anjo vivo, a visível manifestação da perfeição divina. Foi comparado a Ganimedes, Adónis e a muitos outros rapazes cuja beleza atraiu a atenção dos Deuses. Foi este deus encontrado em Antínous que o levou para os céus.

O Imperador Adriano passou pela Bitínia no ano 123 d.C e acredita-se que foi nessa viagem que encontrou Antínous pela primeira vez e que se apaixonou perdidamente pelo rapaz. Antínous foi admitido na corte romana e também foi enviado para Roma para ser educado nas melhores escolas para rapazes onde aprendeu latim, poesia, história da arte e onde permaneceu perto de Adriano e onde teve uma educação privada. Começou a exercitar e a esculpir o seu corpo no ginásio sob a orientação dos treinadores de Adriano, onde se tornou a personificação da beleza masculina clássica.

Antínous também foi um excelente caçador, um dos passatempos favoritos de Adriano. Passaram muito do seu tempo livre a caçar animais, incluindo um leão devorador de homens no deserto da Líbia. Seguramente Antínous sentiu grande afeto pelos cães de caça de Adriano, os melhores do mundo da altura e, de várias formas, Antínous pode ser comparado pela sua lealdade e devoção, sua beleza e juventude, a sua grande força e a expressão dos seus olhos… que lembra uma familiaridade canina. Antínous esteve com Adriano aproximadamente sete anos, que é o tempo de vida de um cão de caça.

Na sua curta vida, Antínous afetou o curso da história, sendo o primeiro a ser considerado um deus devido à sua homossexualidade, ter sido implementado uma religião que durou várias centenas de anos. O efeito da sua religião, levou o cristianismo a reagir contra a homossexualidade sob formas que nos afeta até à atualidade. Antínous foi o último deus da antiga religião romana, apesar da continuidade dos cultos aos imperadores romanos que durou por várias gerações mas que nunca foram tão bem recebidas quanto a de Antínous.

A beleza de Antínous é intemporal. Ele é tão perfeito hoje como foi à 1900 anos atrás. Ele cativou admiradores e amantes da beleza masculina desde sempre. Antínous foi o “supermodelo” que mais durou em toda a história.

 

A VIAGEM IMPERIAL PARA O ORIENTE


Adriano foi o único imperador a viajar por todo o Império Romano, tendo visitado as províncias da Britânia a Israel, e do Danúbio ao norte de África diversas vezes. Ele gostava pessoalmente de supervisionar a administração do seu governo e estava interessado em melhorar a vida dos seus súbditos através de meios palpáveis. Adriano apaixonou-se pela ideia grega de civilização e esteve empenhado em levar esta visão do mundo perfeito a todo o seu império.

Foi então no verão do ano 128 que a corte imperial embarcou numa grande viagem para o oriente. A Imperatriz Sabina, mulher de Adriano e os seus cortesãos foram os membros deste empreendimento mas Antínous foi o companheiro favorito de Adriano nesta grande viagem. O romance entre ambos era aberto e graciosamente exibido aos olhos do mundo. Esta grande viagem ao Oriente, que Adriano chamou de Sagrada Peregrinação, é a única parte da curta vida de Antínous que foi registada na história. Por esta razão, é de grande importância o relato deste épico sagrado. Antínous foi na flor da idade, beleza e vigor, uma estrela brilhante, segura nas asas da águia imperial e não é coincidência que este conjunto de semideuses viajasse para a terra de Ganimedes, Attis, Adónis, Jesus e Osíris que foram todos grandes espíritos, levados desta vida antes do seu tempo.

A corte ficou em Atenas por cincou ou seis meses e chegaram a tempo para as celebrações dos Mistérios de Eleusis que representa simbolicamente a violação de Proserpina por Hades, a tristeza da sua mãe Demeter e o regresso da Primavera. Adriano manteve um grande interesse por religião, teologia e mistérios espirituais. Acredita-se que Antínous teve a sua iniciação pelos sacerdotes de Eleusis. Através deles, recebeu a consagração da deusa negra do submundo, Proserpina, preparando-o para a sua própria morte e renascimento.

Depois da Grécia, a viagem passou pela Ásia Menor e pela Bitínia, a terra de Antínous. Foram para sul, para Antioquia e depois mais para leste em direção à Arménia, através da Arábia onde atravessaram o Jordão e entraram em Jerusalém. Aqui, Adriano conheceu os Rabis e envolveu-se num debate teológico. Fez grandes reformas na fé judaica e não entendeu as consequências que mais tarde o perseguiriam quando os judeus, liderados por Bar Kochba, se revoltaram.

No verão de 130 a corte saiu de Israel na direção do Egito onde Adriano não era só imperador mas Faraó, um deus vivo. A grande cidade de Alexandria, com os seus grandes eruditos, não receberam Adriano como um ser divino. Cheios de controvérsias religiosas, fizeram oposição às suas reformas. A fação cristã foi especialmente perturbada pela presença de Antínous e do romance deste com o imperador.

Depois de várias semanas difíceis, os companheiros mais chegados de Adriano, um grupo de homens jovens, poetas e filósofos, foram para a Líbia onde um grande leão devorador de homens atormentava aquelas paragens. Adriano e Antínous caçaram o leão e posicionaram-se para a matança. Antínous avançou e atacou o leão mas perdeu a arma na luta. O leão feriado, atacou Antínous e tê-lo-ia morto se Adriano não tivesse intervindo no momento crucial e abatido o animal. Um poeta de nome Pancrácio escreveu sobre o evento relatando que uma flor de lótus vermelha brotou miraculosamente do sangue do leão. Esta flor foi oferecida a Antínous e passou a ser o seu símbolo.

Quando voltaram para Alexandria, a comitiva alargou para umas centenas, incluindo altos sacerdotes de vários cultos de deuses egípcios. À medida que as inundações anuais desciam, Adriano, solenemente passou o comando do elegante e dourado navio e dos seus tripulantes e assim Antínous no seu sagrado navio, começou a sua viagem pelo Nilo. Uma viagem sagrada contra a corrente do qual não mais voltariam.

 

A MORTE DE ANTÍNOUS

O navio imperial chegou à antiga cidade de Hermópolis a tempo das celebrações da morte e ressurreição de Osíris. Essas cerimónias coincidiram com o fim das inundações do Nilo, que eram importantes para a fertilidade dos campos. Por dois anos, o rio não inundou suficientemente os vales e a fome começava a alastrar. Todo o império estava em perigo, pois do Egito vinha toda a comida que abastecia as grandes cidades. Se as inundações do Nilo não voltassem novamente, a fome começaria a alastrar por todas as cidades, além das doenças e morte.

O ambiente das celebrações de Osíris era invulgarmente séria e pesada. A antiga história era de como o deus mau Set e os seus 72 cúmplices mataram Osíris, lançando-o ao rio e como o desmembraram e dispersaram os seus membros através do vale. O seu sacrifício causou a inundação anual que trouxe a vida ao vale ressequido. Osíris ergueu-se dos mortos mas precisava da força das súplicas dos seus devotos para o seu regresso. Primeiro, os sacerdotes choraram a sua morte, depois rezaram pelo seu regresso e no momento da sua ressurreição, celebraram com danças, cânticos e festividades. É contado que nos tempos antigos, jovens rapazes, escolhidos pela sua excecional beleza, eram atirados ao rio para se afogarem, tal como foi feito a Osíris, como sacrifício para o deus do Nilo e para benefício dos habitantes. Os que eram atirados para o rio, eram considerados deuses, principalmente se o rio respondia no ano seguinte com uma grande inundação.

Algo ocorreu em Hermópolis a Antínous em que se deu uma grande transformação da qual só se pode imaginar, na medida em que, daqui em diante a história de Antínous toma proporções míticas.

Depois do festival de Osíris, o navio continuou viagem até um local chamado Hir-wer, onde estava situado um pequeno e antigo templo de Ramsés II. Aqui, a 28 de Outubro de 130 d.C, Antínous caiu ao rio Nilo. Não há como saber se ele foi empurrado, terá cometido suicídio, entregue voluntariamente como sacrifício humano ou terá adormecido e caído, afogando-se acidentalmente. Nenhuma explicação foi dada e até na altura terá sido um mistério. Conta-se que Adriano chorou como uma mulher em frente a toda a corte. Estas emoções vergonhosamente exibidas tornaram-se um escândalo que por muitos séculos desacreditou as conquistas de Adriano. Ficou claro que a sua relação com Antínous transcendia o que era vulgar e tradicionalmente aceite e apropriado para um Imperador da guerreira nação romana.

Os sacerdotes de Osíris e outros da cidade de Hermópolis, foram ter com Adriano nessa noite e falaram-lhe no que acreditavam ter acontecido. Antínous juntou-se ao deus do rio Nilo e tornou-se ele também o deus do rio. Os sacerdotes mostraram a Adriano que a população local lamentava e exaltava Antínous, proclamando que ele tinha-se tornado num deus. Adriano levou aqueles sentimentos da população em consideração e, na manhã seguinte consultou os seus conselheiros e com os pontífices romanos e revelou o seu espantoso plano.

A 30 de Outubro de 130 d.C., Adriano fundou a cidade de Antinoópolis no banco do rio onde Antínous se afogou, abrindo as grandes ruas da cidade pela areia. Depois, fez o impensável como Pontífice Máximo e Alto Sacerdote da Religião Romana e declarou que Antínous era um Deus e que tinha conquistado a morte e se erguido nas estrelas eternas. Esta proclamação foi enviada a todos os cantos do mundo, inaugurando a nova religião do Novo Deus Antínous.

 

 

 

 
 

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