VIDA
DEUS GAY
ESTRELA

 

ANTÍNOUS, O DEUS GAY


Antínous afogou-se no rio Nilo em Outubro do ano 130. A população local egípcia proclamou-o como um ser divino. Acreditavam que todos aqueles que se afogavam no rio, eram abraçados pelo Deus Osíris, que a pessoa afogada se torna o próprio Osíris, erguendo-se do submundo para viver para sempre como um imortal e através da morte, trouxe as inundações do rio Nilo ficam asseguradas. Os filósofos gregos ouviram que Antínous se tinha tornado um semideus local e levaram a notícia a Adriano, assegurando-lhe que sendo um Deus-rei, Faraó e Divino Imperador de Roma, que os anos que foram tirados a Antínous, eram agora acrescentados à sua própria vida. Adriano responde por uma declaração que um novo Deus tinha surgido do Nilo e decretou que Antínous fosse acrescentado ao número de deuses e heróis da Religião Romana.

Templos foram dedicados a Antínous e um novo culto foi designado para os seus adoradores. O centro deste culto foi a cidade de Antinoópolis onde Antínous morreu mas muitas outras cidades, na maioria em cidades gregas, também foram construídos templos, onde havia altares dedicados a Antínous por todo o lado, desde a Britânia até à fronteira do Danúbio e norte de África. Os Sacerdotes de Antínous celebravam as cerimónias onde perpetuavam a memória do novo Deus Antínous para sempre.

Jogos foram celebrados nos maiores centros da sua religião, tais como Antinoópolis, Bitínia e Mantínia. Os atletas eram jovens rapazes denominados Efebos. Em Antinoópolis, os jogos incluíam natação e corridas de barcos pelo Nilo, mas os jogos de Antínous eram únicos e também incluíam as artes e a música. Ao vencedor dos jogos era consagrado como o representante vivo de Antínous e era-lhe dado a cidadania em Antinoópolis com todas as despesas pagas durante a vida de luxo e adoração. Seria adorado nos templos de Antínous como um representante do deus, um símbolo de juventude e masculinidade. Era o Efebo Divino.

Esta religião gay de Antínous foi a última manifestação da antiga fé pagã. Foram invocadas as glórias do passado em triunfal final e foi também uma religião para uma salvação individual, refletindo as mudanças espirituais que estavam a emergir, como o cristianismo e outras misteriosas fés que ganharam força. Antínuos foi o último Deus da Roma antiga e infelizmente foi usado como arma contra os pagãos pela fé católica. Os cristãos encontraram um alvo fácil numa suposta moral questionável através da mensagem que Antínous continha. Usaram-no como ilustração de que a Religião Romana se tornara numa religião de pederastia, indulgências sexuais imorais e idolatria. O pequeno culto de Antínous sempre foi uma frente controversa entre pagãos e os primeiros cristãos, principalmente por causa dos elementos homossexuais do culto mas também porque a sua religião falava, comparativamente ao cristianismo, principalmente pelos pagãos, da salvação e bênçãos que Antínous dava aos seus adoradores.

Antínous foi comparado aos deuses jovens que deram as suas vidas em benefício da humanidade. Entre eles, o egípcio Osíris, Hermes o mensageiro e Dionísio o Deus da vinha, cuja homossexualidade foi celebrada por mil anos na Grécia. Também Ganimedes, o bonito rapaz por quem Júpiter teve como amante, o portador da taça dos céus, a quem o jovem deus serviu a taça da imortalidade aos deuses. Júpiter desceu sobre Ganimedes na forma de uma águia e levou-o para o Olimpo, assim como o símbolo de Imperador de Adriano era uma águia e lançou Antínous para a fama mundial.

Sob a direção de Adriano, foram feitas estátuas de Antínous a partir dos modelos existentes desde a época em que era vivo. Estas estátuas muitas vezes representavam Antínous com símbolos e roupas dos deuses jovens famosos mas a maioria apresentava Antínous sempre atributos divinos, sugerindo que Antínous era um novo Deus sem precedentes. Estas estátuas encontravam-se em muitos locais do império mas principalmente nos templos dedicados a Antínous ou em santuários particulares nas casas dos seus adoradores. Muitas ficaram até aos dias de hoje e podem ser encontradas em vários museus do mundo. Olhando para elas, há uma em particular que tem uma semelhança pela sua beleza, verdadeiramente espantosa. São tão perfeitas que parecem fotografias, ao revelarem verdadeiramente como Antínous seria em vida. Não há nenhum deus no mundo cuja face tenha sido tão bem capturada. E é por essa razão que a beleza é um dos elementos espirituais mais importantes desta religião. A beleza de Antínous era tão extraordinária que era crucial capturá-la com toda a exatidão. Com o passar dos séculos, a sua beleza excecional cativou a todos o que olham as suas imagens, deixando uma impressão de divino dentro da alma.

A religião de Antínous ainda durou vários séculos ainda depois do aparecimento do cristianismo mas sofreu grande perseguição e foi então erradicada. É significativo notar que quando o culto a Antínous foi condenado e as suas imagens destruídas pelos iconoclastas, a paz e a estabilidade de Roma começou a declinar. Adriano abençoou o império com um protetor bondoso, que deu a sua boa vontade e prosperidade. Quando o império se voltou contra os seus guardiões, o caminho estava aberto para o caos e a destruição.

A extraordinária história de Antínous foi preservada pela igreja em documentos que denunciam o paganismo. As belas estátuas e imagens de Antínuos foram enterradas pelos seus seguidores para as protegerem da eventual destruição e centenas de anos mais tarde, estas foram descobertas e consideradas grandes tesouros da antiguidade. Uma cabeça colossal de Antínous foi considerada como uma das maiores realizações da arte da antiguidade. Agora, nos dias atuais em que ao Espírito Gay está novamente a voltar ao mundo, sem medo da morte e da violência, achamos que Antínous regressou. As estátuas e templos foram revelados e a sua estrela brilha novamente. Mas o que é mais importante, é que nesta nova Religião Gay e nos corações de todos os homossexuais do mundo, o seu espírito bondoso está a ressurgir das vinhas onde há muito tempo atrás, onde os últimos sacerdotes enterraram as imagens à espera de melhores tempos. A esperança e o sonho dos antigos estão a surgir. Os direitos dos homossexuais são das questões sociais mais importantes atualmente e isto sempre foi pelo que Antínous lutou, o que ele representa para o pensamento da antiguidade e o que ele significa hoje. Apesar de Antínous ser um Deus, foi anteriormente um ser humano, tão real e tão belo como qualquer um de nós e, tal como ele, somos imortais capazes de nos tornarmos deuses, que a homossexualidade é um estado natural e sagrado, que é uma forma de amor e que todas as formas de amor são sagradas e belas e merecem toda a nossa reverência. Antínous era homossexual e é o Deus de todos os gays por essa razão, temos o dever de restaurar o seu nome e o seu lugar, da sua religião em reverência ao seu grandioso passado.

Adriano divinizou Antínous por tê-lo amado e porque queria dar-lhe tudo o que podia ao seu alcance como forma de presente. Adriano inaugurou a religião de Antínous como um caminho de todos os outros homossexuais se lembrarem dele e assegurar que o seu nome nunca seria esquecido e que a sua beleza e bondoso coração nunca desapareceria. Por séculos, os desejos de Adriano foram entusiasticamente aceites e reverenciados por todos os homossexuais e população em geral, que tinham uma profunda devoção por Antínous muito e muito depois de Adriano e dos seus sucessores. O nome e beleza de Antínous fascinaram as pessoas através da história, particularmente homossexuais. E agora, o mistério de Antínous foi dado à moderna comunidade gay. É agora nosso dever (aos que escolheram tomar a sua imagem aos seus ombros) como resposta ao pedido de Adriano para o mundo, para os homossexuais, para relembrar Antínous, perpetuar o seu nome e para o amar por toda a eternidade, como Adriano o amou.
Este é o profundo fundamento da Moderna Religião de Antínous, ouvir o apelo de Adriano através dos séculos, amar, adorar e cuidar da memória do belo Antínous porque, sem nós, o nome de Antínous pode cair no esquecimento ou permanecer somente dentro de um armário de um museu sem ninguém nunca mais dizer: “Vejam, o Divino Antínous”.

 

A CIDADE DE ANTINOÓPOLIS

Em Outubro do ano 130, a frota imperial visitou a remota e antiga cidade de Hermópolis que era sagrada para Thot, o Deus egípcio da escrita e da magia. Algo de misterioso deve ter ocorrido durante a visita porque quando a frota partiu e deu a volta no rio, Antínous misteriosamente caiu no rio Nilo e afogou-se. Adriano ficou desesperado de desgosto e diz-se que chorou copiosamente quando lhe trouxeram o corpo do amante. Foi a população local que primeiro disse que Antínous se tinha tornado num ser sagrado e acreditavam que todos os que caiam no rio ficavam nos braços de Osíris e que a pessoa que se afogava, tornava-se o próprio Osíris, erguendo-se do submundo para viver para sempre como um imortal e que através da sua morte a inundação do rio Nilo ficou assegurado.
As notícias que trouxeram ao desgostoso Adriano foram de que a população local começou a adorar Antínous e que através dele nasceu um novo deus. Adriano consultou em privado os sacerdotes egípcios e, em poucos dias, emergiu da sua mente uma declaração extraordinária.

A 30 de Outubro de 130, Adriano fez um anúncio formal da sua intenção de fundar uma nova cidade no local onde Antínous se afogou, a cidade de Antinoópolis.

Como Pontífice Máximo, Adriano proclamou formalmente a Apoteose de Antínous que, por causa da sua sagrada morte no Nilo, Antínous seria divinizado, uma honra que só era concedida aos Imperadores Romanos. Na Grécia antiga, centenas de anos antes da morte de Antínous a Apoteose foi concedida a indivíduos heróis tais como Aquiles e Hércules e também a belos rapazes que foram amados pelos deuses mas que tiveram mortes prematuras tais como, Jacinto, Adónis e Narciso. Antínous figurou entre estes deuses e também como membro do culto imperial que levou a uma infindável especulação acerca da relação de Adriano com o seu amado Antínous. Adriano declarou que uma nova religião seria fundada, dedicada a Antínous e que os templos e imagens sagradas seriam implementados em todo o mundo. Cópias desta declaração foram levadas a Roma e a todos os cantos do império. E, em obediência a este decreto, centenas de templos e pequenos santuários foram construídos, assim como milhares de estátuas, imagens e bustos foram feitos e assim, a imagem de Antínous ficou reconhecida desde a antiguidade. Adriano supervisionou pessoalmente os planos da nova cidade sem poupar a despesas e todos os detalhes da construção. Antinoópolis foi um triunfo da arquitetura, uma grande realização do sonho de Adriano em criar uma cidade romana no Egito que rivalizava com Alexandria e era como uma colónia da civilização greco-romana no extremo sul do império. Adriano tinha viajado para o Egito com intenção de criar uma cidade mas foi com a morte de Antínous que ficou selado o local de futura cidade. Providencialmente, foi a morte do amante de Adriano que deu a Antinoópolis a atenção especial do imperador. E desastrosamente foi a aura de misticismo homossexual que levou mais tarde à destruição da cidade. Em contraste com a antiga cidade de Hermópolis, com a sua construção em tijolos de lama, linhas irregulares e os seus templos centenários, Antinoópolis foi um oásis da arquitetura, construída com templos de mármore branco, monumentos e colunas alinhadas geometricamente com estátuas de Antínous, o novo Deus. As ruas principais de Antinoópolis estavam alinhadas com centenas de estátuas de Antínous.

Como uma sagrada sincronia, a nova cidade estava localizada no ponto fulcral do Egito, na linha sagrada que separa o alto do baixo Egito. Foi aqui, a apenas alguns quilómetros de distância para sul, que o 18º Faraó, Akhenaton fundou a sua “cidade do horizonte” Akhetaten, 1400 anos antes, no ponto médio entre as tradicionais capitais de Tebas e Memphis. Antinoópolis está localizada numa curva do rio entre Akhetaten e Hermópolis (cidade sagrada de Thot). Esta zona do rio é o coração do Egito como ainda é hoje em dia. Através dos tempos, esta área tem sido o centro de controvérsia religiosa. No local onde Antinoópolis foi fundada, um pequeno templo de Ramsés II permaneceu e a zona foi conhecida alternadamente por Hir-wer ou Besa. Pelo nome desta última, supõe-se que tenha sido uma cidade sagrada para o deus egípcio Bes, que é um deus anão da natureza, comparado a Silenos, que está intimamente ligado a Dionísio, que por sua vez, é sincretizado com Osíris. A nova cidade é uma representação visível da nova religião baseada nos princípios do Helenismo da beleza e harmonia, a visão do Cosmos ordenado onde pessoas civilizadas podem viver de acordo com as antigas ideias filosóficas gregas. Um grande arco dá as boas vindas aos visitantes que veem de barco até ao porto de mármore. Ruas alinhadas com lojas e luxuosas casas levam até à interseção onde está localizada uma enorme estátua de bronze dourada das “Epifanias de Antínous” permitindo-lhe que abençoe a todos os que chegam à cidade e depois, na vida do quotidiano dos seus habitantes. As colunas a norte e a sul, estão alinhadas com as colunas de Este e a Oeste que existem através da cidade e que vão dar até ao mausoléu de Antínous num extremo da cidade e ao teatro do lado oposto. Para lá das muralhas da cidade, na planície entre o rio e as colinas, um enorme Hipódromo domina uma zona elevada perto das portas da cidade.

Eram concedidos privilégios especiais a qualquer cidadão grego que quisesse ir viver para Antinoópolis e mais privilégios teriam se quisessem juntar-se à nova religião, tendo a certeza que a sua participação no culto teria de passar por vários níveis. Antinoópolis era comparado a uma comunidade fechada para ricos e privilegiados, na medida em que os habitantes tinham todo o conforto e luxo da civilização greco-romana no meio do deserto egípcio. Ser um cidadão de Antinoópolis era uma medida de orgulho e privilégio. Aos seus habitantes eram dadas especial atenção entre a população local e aos seus filhos era automaticamente concedido a cidadania romana, com todas as proteções e privilégios inerentes. As evidências do significado de viver em Antinoópolis são encontradas nos inúmeros fragmentos de papiros encontrados em toda a região, muitos dos quais eram contratos legais, onde uma das partes era referenciada como cidadão de Antinoópolis, o que tinha de ser levado em especial consideração.

No Egipto, um país medido pela sua história milenar, Antinoópolis era inevitavelmente nova e distinta. Mesmo depois de séculos desde a sua fundação, era considerada uma cidade inovadora e cheia de oportunidade, apesar da sua vocação espiritual. Uma irmandade sagrada era consagrada para servir os sacramentos e liturgia, preparada por Adriano para o Templo e Mausoléu de Antínous. O seu nome era ritualmente cantado e o seu oráculo foi lido por cerca de 500 anos. As pessoas da cidade eram gregas de diversas maneiras. Tinham banhos luxuosos, um belo anfiteatro, ginásio e uma biblioteca onde os filósofos se encontravam para os seus debates. A cidade foi o berço do famoso matemático Selenus de Antinoópolis que descobriu um inovador método para calcular a geometria de um cilindro, que é usado hoje em dia. A cidade era uma atração para os melhores escultores da altura. Pode muito bem ser que as esculturas que se encontram nos museus mundiais, tenham sido concebidas em Antinoópolis onde a imagem de Antínous foi muito bem preservada. A divindade de Antínous foi celebrada nos jogos, que eram competições com atletismo, corridas de barcos no rio, diferente dos jogos olímpicos, com uma profunda simbologia religiosa e de sacrifício. Também performances teatrais no anfiteatro, competições musicais e poesia eram o aspeto mais gracioso das festividades que ocorriam no final do verão, em comemoração das miraculosas inundações do rio, que ocorreram depois da sua morte. Os jogos de Antínous atraiam os melhores atletas, poetas, dramaturgos, atores e músicos de todo o Egito. O prémio para o vitorioso era simbolicamente uma coroa de lótus cor-de-rosa, a flor de Antínous e também a cidadania de Antinoópolis e também um salário para toda a vida incluindo as despesas pagas, o que constituía um grande valor. Existe um fragmento de papiro onde um atleta vendeu o seu prémio vitalício por um altíssimo preço.

Antinoópolis foi o local espetacular para uma sumptuosa e ofensiva nova religião que se ergueu no declinar de uma nova época espiritual. Cercada por opulência bem fundada no Estado, os sacerdotes de Antínous queriam absorver o conhecimento dado por todas as crenças do império romano. Eram pagãos greco-romanos que queriam defender o Olimpo no meio do deserto egípcio, rodeados por gnósticos, católicos, matemáticos, filósofos, a guarnição romana, toda a sorte de bruxos e profetas do pecado. Isto era o céu para homossexuais educados e místicos, sendo o ponto alto do império romano. Pelo exemplo do seu imperador e aprovado pelo seu sucessor, o bondoso Antoninus Pius, deve ter havido uma explosão de sagrada homossexualidade por todo o mundo, especialmente no leste grego e no sudeste do deserto, tendo Antinoópolis como o centro da espiritualidade gay.

Os sacerdotes de Antinoópolis veneravam a beleza dos jovens, tal como no exemplo de Antínous como uma soberba manifestação do que devia ser o Divino Efebo vivo, rapazes com 19 anos de idade, provavelmente vencedores dos jogos de Antínous, que eram adorados como a encarnação viva do Deus. Podemos ter a certeza que os sacerdotes estavam fora da doutrina dos Libertinos, colocados onde estavam, no fim do mundo, rodeados por uma África desconhecida aprisionados nos férteis vales do rio Nilo com um infindável deserto em redor. Os habitantes de Antinoópolis poderiam pensar que não faziam parte do mundo, que eram especiais e que não estavam sujeitos às regras e costumes normais e que eram os campeões da civilização.

Os rituais dos sacerdotes de Antínous seguiam a maneira grega dos cânticos, de sacrifícios de sangue e o queimar de incenso. Foi acrescentado o antigo método egípcio de cânticos, assim como a leitura do Livro dos Mortos. Os sacerdotes mantinham uma chama acesa pelo nome de Antínous enquanto recitavam as cerimónias e oráculos, numa combinação de cânticos gregos e sinos Egípcios. Flautas e harpas acompanhavam os gestos dos rituais. Os padres cristãos diziam que, inebriados pela bebida, os sacerdotes caiam uns sobre os outros em grande luxúria. Os antigos sacerdotes eram também conhecidos pelos seus feitiços e um papiro onde está escrito um feitiço de amor de Antínous sobreviveu até hoje. Milhares e milhares de peregrinos foram até Antinoópolis por cerca de 500 anos para adorarem o belo Deus e para ouvirem as previsões do oráculo. Já pelo fim da decadência do império, Antinoópolis tornou-se uma cidade de magia e superstição e a evidência desse período é que a cidade tornou-se um mercado de charlatães.

Antinoópolis foi o centro de comércio e transações, chamada de Via Adriano, ligada até ao mar vermelho e daqui para a Índia e a China, de onde traziam exóticas especiarias e seda e toda a sorte de produtos de outras partes do mundo. Foi uma pequena cidade muitíssimo rica, rodeada por extrema pobreza e cedo tornou-se a capital administrativa da região, de onde os militares e políticos romanos chamavam de Epistrategos, o Comandante General representante direto do imperador. Durante as reformas do Imperador Diocleciano, Antinoópolis foi a cidade guia do “Nome of Thebaid” e o seu líder chamado de “Nomearch”.

Antinoópolis foi onde ocorreu a famosa cena do esforço romano para banir o cristianismo. Foi aqui que todos aqueles que eram presos por serem cristãos foram levados para serem interrogados pelo “Nomearca”. Eram-lhes dadas todas as oportunidades para negarem a serem cristãos e a fazerem oferendas aos divinos imperadores e aos deuses em sinal de como não eram culpados de traição contra a Estado romano e a Religião Romana. Muitas pessoas falsamente acusadas negavam as acusações e faziam espontaneamente as suas oferendas e queimavam incenso e vertiam o vinho nas imagens dos imperadores e dos deuses. Mas as histórias dos que se recusavam a renunciar à sua fé, ficaram reconhecidos como mártires. Quando eram culpados do crime, eram sentenciados à morte, principalmente por decapitação. Antinoópolis é recordada pelos cristãos como a cidade das perseguições e martírios que ocorreram dentro das suas muralhas.

Os cristãos saíram vitoriosos sobre os pagãos em Roma e Constantinopla, mas mesmo depois da imposição do cristianismo em 391, Antinoópolis continuou a ser um centro do fervor religioso pagão. Os gregos em Antinoópolis agarraram-se aos seus deuses pagãos como Bes, Isis, Serapis, Hermes, Afrodite e especialmente Antínous, enquanto os cristãos convertiam os seus templos em igrejas. Um dos aspetos intrigantes da mistura das crenças sobreviveu quatro séculos depois sob a forma de uma estela onde aparece gravado um rapaz nu com a forma e estilo de cabelo parecido a Antínous, segurando numa das mãos uma cruz e na outra as uvas de Dionísio. Antinoópolis foi um dos últimos bastiões da antiga fé pagã a sobreviver à queda da Religião Romana. Apesar dos nomes não serem recordados, podemos ter a certeza que os pagãos foram sujeitos à perseguição e morte, assim como os oficiais romanos fizeram o mesmo aos primeiros cristãos.

Com o tempo, Antinoópolis tornou-se um grande centro da religião cristã, famosa não só pelos seus mártires mas também pelas comunidades monásticas que se espalharam pelo deserto. Colutus, um médico da zona que foi martirizado pelo Imperador Arrianus, ficou conhecido como um santo local.

Durante o período bizantino, depois do colapso do Império Ocidental, Antinoópolis mudou de nome para Ansena, talvez como uma forma de diminuir a memória do Deus Gay, razão pela qual a cidade tinha sido fundada. Foram inventadas lendas em que a Sagrada Família teria visitado a cidade quando Jesus ainda era criança e, de um poço de onde terá bebido, ainda corre água límpida. Ansena foi o local de um bispado Ortodoxo e de um bispado “Arrian”. Um famoso médico da igreja católica de nome Atanásio, refugiou-se na cidade, quando o Imperador Júlio tentou restaurar a fé romana e foi lá que ouviu dizer que o Imperador terá morrido na batalha.

Quando o império bizantino foi invadido pelos muçulmanos, Antinoópolis foi abandonada e desapareceu da história. Ninguém sabe ao certo as razões de Antinoópolis ter sido abandonada mas provavelmente terá sido porque para a civilização grega (agora cristãos), Antinoópolis não era mais a cidade certa para viver e onde podiam defender as suas crenças. É sabido que o califa levou as pesadas portas de bronze do Templo de Antínous para a sua nova cidade do Cairo mas que depois, voltaram a desaparecer.

A tradição de um local santificado permaneceu na era muçulmana e o nome de uma vila presente no local denominada Sheik Abadeh, o “Sheik pio” diz-se que veio do facto do chefe árabe ter sido martirizado depois da sua conversão à fé cristã. Um fervor religioso e mistério sempre assombraram o local através dos séculos e mesmo hoje em dia a área está fechada aos turistas devidos aos extremistas islâmicos. Os habitantes das proximidades contam que toda a área está “assombrada” por poderosos espíritos.

Quando supervisores de Napoleão chegaram entre 1798 a 1801, em cinco visitas ainda existiam muitas ruínas visíveis e muitas ruas e monumentos podiam ainda ser distinguidos. Mas enquanto o século 19 prosseguia, as colunas, painéis e os blocos da arquitetura caíram e até foram levados para construir uma fábrica de açúcar, avenidas e, mais tarde, uma barragem em Assiut. Os fragmentos de mármore que restaram foram aproveitados para fazer giz e cal. Agora, praticamente nada resta da outrora grandiosa cidade de Antinoópolis.

O historiador Royston Lambert, escreve acerca da cena: “Pela ironia do tempo, a cena que os olhos modernos encontram naquele lado do Nilo, é terra desolada, ladeada de palmeiras, vila miserável e o arcaico templo de Ramsés onde, há dois milénios Antinoópolis podia ser vislumbrada nas suas lutas antes de finalmente se ter afundado nas águas.” Lambert escreve no seu livro “Beloved and God onde fala de um “estranho fervor religioso” que sempre foi a grande marca de Antinoópolis: “Sacrifício, devoção e consagração assombram o local até ao fim.”

Antinoópolis ainda não chegou ao seu fim, pois um novo capítulo da longa história da cidade esquecida começou. É mais do que um amontoado de ruínas cobertas de areia do vasto deserto. Nós, que acreditamos em Antínous, somos os novos tijolos da bela cidade de Antinoópolis e estamos a reconstruir a cidade por nós mesmos e os antigos sacerdotes de Antínous dão-nos as boas vindas de braços abertos da sua eterna e sagrada cidade das colunas de mármore. Somos por direito os sucessores e defensores de tudo o que foi perdido e destruído. A cidade ergue-se de novo nos nossos corações com o seu lugar sagrado na Terra, um céu esquecido, um paraíso perdido onde, há muito, muito tempo, homossexuais sagrados viajaram até ao fim da civilização para adorar a imagem do belo rapaz salvador, no local onde misteriosamente a sua vida foi levada para o outro mundo.

Antinoópolis é como uma Jerusalém “gay”, a cidade sagrada onde já não é permitido adorar ou rezar, mas mesmo assim, Antinoópolis não é mais uma cidade, nada mais há que se possa tocar, somente areia e um profundo silêncio. Antinoópolis é uma cidade espiritual, um sentimento de existência, uma ligação a todos os que cultuam Antínous apesar das diferenças sobre crenças e doutrinas, somos todos cidadãos de Antinoópolis. Para se ser cidadão da cidade sagrada, implica ser membro da ideia de Adriano greco-romana de uma harmonia cosmopolita com Antínous como o Deus Gay e como nosso Deus patrono.

Os sacerdotes de Antínous oferecem a cidadania de Antinoópolis a pedido.

Em baixo, estão as regiões de Antinoópolis tal como foi dividido por Adriano e traduzido por Anthony R. Birley:

 

AS DEZ REGIÕES DE ANTINOÓPOLIS (THE TEN PHYLAI AND DEMOI OF ANTINOOPOLIS)

1.Hadrianioi , Zenios, Olympios, Kapitolieus, Sosikosmios
2.Athenais Artemisios, Eleusinios, Erichthonios, Marathonios, Salaminios
3.Ailieus Apideus, Dionysieus, Polieus
4.Matidioi Demetrieus, Thesmophorios, Kalliteknios, Markianios, Plotinios
5.Neruanioi Genearchios, Eirenieus, Hestieus, Propatorios
6.Oseirantinoeioi Bithynieus, Hermaieus, Kleitorios, Parrhasios, Musegetikos
7.Paulinioi Isidios, Megaleisios, Homognios, Philadelphios
8.Sabinioi Harmonieus, Gamelieus, Heraieus, Trophonieus, Phytalieus
9.Sebastioi Apollonieus, Asklepios, Dioskurios, Heraklios, Kaisarios
10.Traianioi Ktesios, Nikephorios, Stratios

Que ele viva para sempre!

 

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CULTO

HOMOTHEOSE

LITURGIA

PANTHEON

ECCLESIA ANTINOI

 

 

 
 

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